terça-feira, 16 de setembro de 2014

O mundo agora é outro

Vivi: Eu vejo algumas coisas, e preciso compartilhar, olha isso: "O amor era físico. Não vinha do coração, não vinha da cabeça. Estava na pele. Era sólido. Tinha forma. Dava para pegar."

Steph Ai, pode compartilhar que eu adoro! Vc sabe que eu sou a primeira das minhas amigas a ter filho. [...]. Ou seja, Pode ir mandando que eu leio TUDO! Ainda mais que é o primeiro...o mundo é outro agora!hahaha

Steph
Vivi
As vezes eu sinto que passo o dia todo plantando bananeira com uma mão só. Isso é o quão diferente esse meu novo mundo é vs. o que conhecia antes. Cada dia você aprende algo e precisa lidar com uma nova situação e emoções. As situações novas como dar banho sozinha, colocar gotinhas na boca de um recém nascido, saber o que fazer quando chora...é mais fácil e vamos aprendendo aos poucos e parece que nossos pequenos entendem isso e tem toda a paciência do mundo. Ou seja, perdi o medo de errar. Mas, a avalanche de sentimentos que me enche faz o mundo virar de ponta cabeça. Engraçado que antes da Maya nascer, achei que estava emocionalmente pronta para a situação, mas que não iria saber o que fazer. Depois que ela nasceu eu percebi que sei muito bem o que fazer (instinto materno existe, ainda bem!), mas que o lado emocional vira uma gangorra. Percebi que os 5 meses de licença maternidade são necessários para o seu bebê, mas também para você. Para organizar todos os sentimentos que nos enchem e que nos mudam.
Eu peguei esse tempo para descobrir novas coisas sobre mim, olhar mais para dentro. É difícil se reinventar, se redescobrir, encarar seus defeitos, mas...ahhh como é gostoso as recompensas que estão vindo com isso. Hoje em dia me sinto completamente diferente, é uma Stéphanie menos séria, mais tranquila, mais amável e até, quem diria, menos introspectiva.
É um novo mundo. É um novo mundo para a Maya, é um novo mundo para a mamãe, é um novo mundo para a Stéphanie.
Meu mundo também é outro. Embora eu seja uma mãe de 2a viagem, passar pelo 8o e 9o mês de gravidez foi uma novidade para mim. Mas mais do que isso, eu ansiava pelo meu mundo "mãe de dois".
- Será que dou conta de dois?
- Será que a gente realmente gosta dos dois igual?
- Como será a reação minha e da Nina?
A vida com a Nina mudou meu mundo, então, quando o Dudu chegou, a sala de casa já era cheia de brinquedos, a agenda da família raramente fura a rotina das crianças, Du e eu já sabemos trabalhar em equipe (eu sempre liderando, para deixar claro, nem sempre rola pro-atividade... homens...) para dar conta da operação logística dos dois.
Então tá, o que mudou?
Primeiro meu coração, que recebeu o Dudu muito bem e obrigada. Somos uma família, e amo os meus filhos, sem nenhuma preferência e sem nenhum clichê, mas "coração de mãe, sempre cabe mais um".
Segundo que muda muito é a rotina de dois, sendo um deles bebê, Jesus... Quando um fica pronto, começa o outro, e claro que isso se passa no mínimo em uma hora, e se perder o ritmo, começa do zero tudo de novo. 
Terceiro que muda muito é que a vez da mamãe demora mais para chegar, então as crises do tipo "estou exausta" aparece mais cedo e mais vezes.
O ar sorri numa casa com criança, o que dirá com duas. Essa é uma mudança gostosa. Uma hora é um bebê que começou a interagir e sorri num "bom dia"  seu, num outro é uma menina linda dando seus primeiros passos de ballet. E num daqueles bem delicia, estamos nós 4 deitados, um interagindo com o outro.
Meu mundo é outro, tem 2 filhos, 1 marido e muito amor.



sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Eu poderia inflar e voar...

Steph: Muuuuito feliz que o Dudu chegou lindão, com saúde e tranquilo! Parabéns para vcs! Aproveitem esse momento com toda a intensidade!

Vivi: Obrigada Ste! Estou tão feliz que poderia inflar e voar

Steph
Vivi
Maya está com 2 meses e até então tive inúmeros momentos que me enchi de alegria, amor e felicidade. Simplesmente estou fascinada por todos as mudanças e sentimentos que uma criança trás com ela. É muita energia positiva. Ela une o casal, aproxima a família, gera mais momentos de convivência intensa, traz tranquilidade, exalta comportamentos mais saudáveis e positivos, reaproxima amigos ou até te traz novos...poderia numerar muitas coisas aqui.
Mas, até então, eu tive dois grandes momentos que “inflei e voei”. O primeiro foi ali na sala de parto mesmo. No momento que senti ela pela primeira vez a sensação é que eu estava respirando amor. Estava calma, tranquila e rindo, mas assim que alguem deitou ela no meu peito, aquela avalanche de choro de felicidade surgiu. E naquele momento eu praticamente me vi inflada e voando por aquela sala de parto como um balão. Um balão em forma de coração, bem vermelho e grandão.
O segundo surgiu apenas alguns dias atrás. Fui pegar a Maya no berço. Assim que ela me viu e falei com ela, surgiu  o maior sorriso do mundo! Adorei aquilo e comecei a conversar com ela...e cada vez ela enchia aquele quarto com mais sorrisos e gargalhadas. E pela segunda vez sai, inflada, voando por aí. Foi um momento nosso, só nosso. Foi um momento que senti que finalmente conectamos como mãe e filha. Foi nesse momento que a relação que estávamos construindo ao longo dos últimos 2 meses, se concretizou e materializou em sorrisos. E tudo, tudo, tudo, tudo passou a valer a pena e fazer sentido.




Eu tenho duas experiências de parto completamente distintas. Na vez da Nina foi estranho por vários motivos. Foi a primeira filha, foi prematuro, foi praticamente feito de um dia para o outro, eu sai para fazer um ultrassom de rotina e não voltei mais. Ela nasceu, quase num susto, a Dra me mostrou ela por 5 segundos, e depois eu a vi dentro de um saco plástico, numa incubadora indo para UTI. Não da para inflar, não tinha tempo para isso. Em compensação, lembro exatamente do dia que inflei e voei com a nina, 4 dias depois que ela nasceu, eu fiz o canguru, um procedimento médico, mas extremamente humano, 2h com ela, tão pequena, grudada corpo a corpo comigo. Ai, suspiro só de lembrar, que delicia!!!! Que felicidade. Ela ficou no meio de mim, mas praticamente foi o dia que de fato ela entrou de vez no meu coração. Nos esquentamos, nos tocamos, nos amamos. Foi lindo, mas queria a experiência simples de se ter filhos, queria aquela foto típica de mãe ,pai, filhinho assim que nasce, aquele segundo que a gente fica boba com o milagre da vida. Então, no Dudu, foi tudo diferente. Eu estava numa explosão de felicidade por saber que ia realizar um sonho, meu bebê ia nascer de 9 meses, saudável, a gente ia tirar foto e eu iria registrar um dos dias mais felizes da minha vida. Não estava muito calma não, mas o meu marido entrou na sala com um sorriso tão lindo e cheio de paz, que passou pra mim. Estava no céu, meu sonho, meu marido sorrindo, minha família crescendo... enfim. E dai, o choro!!! Aí meu Deus, nasceu!! E se eu tinha alguma dúvida se eu ia amo-lo como a Nina, já ser mãe a essa hora só ajuda, ele veio para os meus braços e na hora falei e senti que ele era meu filho e que tinha uma irmã linda esperando por ele. Desde esse dia, meus momentos de "inflar e voar" são quando vejo os 2 juntos, ou nós 4 juntos. Família é lindo demais!





quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Nasce uma mãe

Vivi: Eu o acordo de madrugada no max de 4h. Mas o processo êh lento. Mama um peito, faz coco, troca, mama outro faz arrotar = 1h30/2h. Qdo volto a dormir já tem que acordar de novo

Steph: To so pensando de onde vc tira energia! E de onde eu viu tirar energia!! Hahaha

Vivi: Isso se chama ser mãe. Nasce junto com o bebê

Steph
Vivi
Essa conversa nós tivemos logo depois que o Dudu nasceu, quando a Maya ainda estava no quentinho da minha barriga. E sim, eu tinha muito medo de como seria quando ela estivesse aqui. De onde tirar energia para acordar de madrugada? Não dormir direito? Eu, que adoro dormir, ficar de preguiça e que durmo 8 horas e ainda acho que poderia ser mais...  
Hoje sei que é exatamente isso. Nasce uma mãe junto com o bebê.
Descobri muuuitas coisas sobre mim em apenas 2 meses com a Maya. Descobri que posso muito mais do que achava, descobri que eu tenho muito mais coragem do que achava, descobri que tenho muito mais força do que imaginava. A verdade que não nasce apenas uma mãe, nasce uma nova pessoa. Aos poucos você precisa olhar para dentro e fazer novas descobertas sobre você. Quais as novas prioridades, vontades e limites. Acho que por isso existem tantas mães que mudam de rumo profissionalmente, por exemplo (alias, com certeza, esse assunto vai ser debate em algum post!).  
Eu ainda estou descobrindo quem é essa nova Stephanie....
Em relação as noites de sono....sim, é difícil. Mas, seu corpo vai se acostumando. Hoje durmo 4hrs direto e acordo como se tivessem sido 8 hrs...acordo bem, feliz e renovada. As vezes as 3 da manhã, quando a Maya acorda para mamar, me pego até sem sono. E muitas vezes eu e meu marido ficamos batendo papo, no meio da madrugada até adormecer denovo...
É, simplesmente, uma nova vida e seu corpo entende isso.
Eu também adoro dormir, mas desde a Nina, descobri que dormir não é para os fracos, mas para os sem filhos. Então, no Dudu, não esperava nada diferente. 
Eu acho que você, quando ciente da responsabilidade sobre o cuidado do seu filho, arranca força que só existe quando você vira mãe, é aquela mistura boa de amor, carinho e cuidado, sobretudo. Quando penso que ele fica com a boquinha suja se eu não passar um paninho, tangibiliza a responsabilidade e dependência.
As madrugadas são os primeiros sinais que te mostram como muitas mães tem atitudes pouco compreendidas por outros. Afinal, como entender que a gente, mesmo acabada, acorda e amamenta, ainda que o peito esteja doendo e você com sono? 
Somos dos nossos filhos, respeitamos (não obedecemos) a agenda deles, por amor.
Ser mãe, para mim, é o único título que não deve poupar modéstia, somos fortes sim, somos feras, somos corujas e criamos uma sensibilidade especial.
Agora cansa, e tem dia que cansa mais e tem dia que cansa menos. Mas o corpo se adapta, e passa, antes do que você se dê conta, passou. 
Nina tem 3 anos, dorme e cresce...